Lambuzei-me, lembro!
Como quando acaba um Novembro
e os quentes verões dezembris me trazem intento.
Treze, sempre! Louco como o vento;
Agora atado ao momento
que outrora escapava à memória,
me pergunto: ” – Na moral?
Como foi que eu vim parar nessa história?”
Prefiro escrever sobre ela,
mistura bandida de Rapunzel com Cinderela.
Eu, claro, sou o inofensivo, Fera…
Ainda não sei o que ela viu em mim,
mas a minha cabeça, na época:” – Quem me dera…”
E deu!
“Cachorro acostumado a roer osso, não sabe o que fazer com um quilo de carne.”
– Cidadã, idônea e idosa, aqui da vizinhança.
E trocou o leite com pera, por outro tipo de mamadeira.
de santinha, só tinha a cara, era golpe. Armadilha!
Olha que coisa mais linda, com essa cara de brava.
Ela só de calcinha e esse olhar que me mata…
Atraca e te ataca, sem deixar marca,
sem pressa, sem garra, doce de candura.
Sim, presa, na marra, arrasta pra mata e cala.
A voz do malandro tremula…
Ela é cilada sem corda,
sem tapa na cara, só fala;
por onde o maloca se enrola,
se solta, se aninha e relaxa.
Um perigo de mulher.
Mas se eu tivesse medo mesmo, não andava de mãos dadas na rua.
Dormir com o inimigo ao lado, é pedir pra acordar rendido.
Ela é brava, atacada e teimosa. Mas geralmente está certa.
Ouve as vozes, veludas das rosas, enquanto ajusta sua meta.
Planilha compra de mercado, com custo, produto, total de gasto.
Porém, vai enchendo o carrinho, com tudo ao contrário.
Contraditória e sagaz, como todo feminino…
No limiar exato, entre o Sagrado e o Safado!
Sobram me fotos, videos e textos,
que a descrevem e mostram,
fazendo bico, careta ou mostrando os seios.
Sem pudor, sem manha e nem um pingo malícia.
Parece natural, mas quase tudo nela me atiça.
A discrepância berrante, quase eterna briga,
entre o incenso de lavanda e o que eu peguei na bica.
Limpa a casa,
arruma umas caixas,
a louça lavada
e ela louca na brisa.
Eu só queria escrever, ela me trouxe um café…
Sentou no meu colo, beijou minha boca,
um afago, incentivo a tentar: ” – Vai na fé…
Se é isso mesmo o que você quer.”
Lembro-me de uma vez, sentado perto da janela,
ela pediu pra eu descreve-la em palavras.
Ainda não sei se confesso ou deixo em aberto,
que todo texto meu, tem um pouco do amor que era dela.
Mulher. (do latim muliere)

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