Mein Bünker!

O peito aperta, a alma dói. Lá vem outra lágrima.
Aquele sentimento ruim, onde tudo se corrói
Desfaz, cai, vai… mas passa.
Tudo nesse caralho, passa…

Estou na pior das minhas ressacas,
mistura de moral, ética etílica e fumaça.
Tá um dia tão perfeito, que se piorar, melhora…
e se melhorar, estraga.
Mas isso, também passa,
com uns poucos copos d’água…

(…)Tem gente que diz que não temos sentimentos.
Mentira, nós só não demonstramos.
Ou fazemos de forma diferente,
estranha, socialmente incorreta,
distorcida… como vemos a vida!

Somos, todos, intensos. Densos…
Por dentro…

Luto contra isso todos os dias…
Meu médico disse que não tem cura, mas,
que tomando os medicamentos certos,
a “condição” pode ser controlada.
Piada!

Sem graça, ainda por cima.

Meus medicamentos, não vendem na farmácia.
Sou cria carai, tem de tudo na quebrada.
A biqueira anda avançada…
Mas não há nada, nem cá, nem lá,
que tire de mim, o que aqui está…

Acho que pela primeira vez, em um ano ou dois,
me permito chorar, lágrimas não-devotas.
Eu, sempre eu… Pisei na bola.

Há um tempo eu deixei de ser eu por você,
e sei que vc nunca pediu nada disso…
Eles me chamam Deus e eu não nego, Nêga!
e sei que vc nunca quis nada disso…

Larguei os gole, larguei a grana fácil,
deixei de me importar, esfriei a gana,
larguei o corre, os mano, as gramas…
Deixei de ser…
tanto, que não sirvo mais pra sua cama…

Não vejo agora outra saída,
senão a contramão,
de volta pra entrada; …faz uns anos,
mas acho que virei na rua errada.
Ou será que sou eu, a estrada?!

Hoje eu não sei/saberia responder.
Aos que estão comigo,
Yê Parrè e Laroyê!

A boca amarga é um sinal,
revela que estou mal.

Nem o vento cortando feito navalhada,
o caminho percorrido/escorrido na cara,
fez parar essa caminhada…

Não fosse isso, eu nem saberia;
seria apenas um incômodo,
como o quarto vazio, as luzes apagadas,
o café gelado, as roupas largadas,
garrafa de gym vazia, o medo, a vala,
o cheiro do cinzeiro cheio…
esse frio do cão, a sujeira das calçadas…
Enfim!

Cansei de procurar abrigo em ti
Serei eu minha própria morada…
estou de mudança, você sabe neném.

Sem-Teto emocional,
castrado de vergonha na cara,
com saudades de ouvir “Não para!”
saindo dessa boquinha linda,
que vez ou outra, ainda diz que ME AMA!

Eu? Acredito, é claro. É recíproco.
Mas shhh… Segredo de estado!

Não imaginam o tamanho do estrago,
se eu não soubesse ficar calado.
Mesmo com meu chão descendo pelo ralo.
Parece que eu tô com a metade da vida enfiada no rabo;
e a outra metade seguindo, firme e forte,
em direção, na certa, à Morte!

Cansei de procurar abrigo…
Tem que ser eu, a morada.
Encosta, que eu te faço um cafuné…
Juro que passo um café…
Converso sobre amor, filosofia e fé…
Mistura de afeto e foda…
PORRA DE MEMÓRIA!
Bela hora pra voltar a funcionar,
Justo enquanto, tento arrumar
um meio pra permanecer em pé.

Talvez eu tenha essa conversa com qualquer louca…
De novo, eu vou procurar você em outra boca.
A contra gosto, bem da verdade.
É como ser empalado contra a parede
de um prédio que eu não moro, nem invadi,
como o bárbaro que todos vêem em mim.

Gratidão e dor… Queimam sem serem vistos!
Tem quem chame isso de amor…

Obrigado pelos anos, pelos beijos,
pelos Eu Te Amo’s, pelos aconchegos,
tapas, mordidas, filhos, chamegos…
Abrigo antigo que eu deixei partir.
Me perdoe por permitir.
Ou apenas finja que te fez bem ficar,
finja que eu não te arrastei pelo mundo,
finja que não me viu no fundo,
esqueça disso, por enquanto,
do nosso amor profano,
ambientado no imaginário cagado,
de quem não vai nem com a porra da minha cara.

DESGRAÇA!
Tá frio demais pra ficar com a cara molhada.
Mesmo assim tô aqui…
Rasgando as ruas da quebrada…
… a pé …
às três da madrugada!
KKKKKKKKKK
Rindo feito o louco que sou.

Caralho! Essa porra machuca…
Dói saber que não sou ninho.
Não sou seu, nem sozinho.
Nunca fui…

Talvez eu não deva encher a cara e te ligar na calada… pedindo perdão por tudo… De novo!

Mistura filha da puta…
Wisky, Drogas, Gym, Vinho Barato,
Cigarro Paraguaio, Frio & Viatura.
Parece nome de filme cult, mas
tá tendo operação na minha rua….

Preciso de um bar, onde tem algo mais forte?!
Tenta gasolina… dois litros ou três…
me traz uma caixa de fósforos também, por favor!
Só assim pra re-acender, o que morreu aqui dentro, dessa vez.

C’est la vie!
E vida que segue…
Acho que ouvi um conselho desses;
umas milhares de vezes;
não só de você.

Ainda tentando imaginar como será,
daqui pra frente, e ao mesmo tempo não.
Não quero sofrer hoje, a dor de amanhã.
Juro! Prefiro enfrentar o cão.

…e mesmo assim, gratidão!

Ansiedade, o nome né?!
Acho que já deixei transparecer,
algumas vezes, esse erro.

Ainda tentando, depois de quase dez anos,
achar alguém pra por no seu lugar…
Mas eu não sou morada pra ninguém.
E disso sabemos, também!

Sou inóspito. Sempre fui.
Não gosto de muita gente.
Nunca fui de receber visitas,
não que eu não queira,
mas ninguém vem aqui sem um motivo.
E eu sempre sei o que eles(as) querem.
Querem de mim, o que nem você pode me dar.

Querem que eu seja uma cobertura na Paulista,
porém, ambos sabemos tão bem,
que é exigir demais de um bunker abandonado da Primeira Guerra Mundial.
Rude, rústico, frio…
Útil e confiável, mas ainda assim, nada confortável.

Estou mais pra Motel barato no centro.
Daqueles que a gente frequentava.
Trinta conto, muito bem pagos,
pra passar a madrugada.
Mesmo a água do chuveiro gelada.
Era janela escancarada com vista pra praça.

Eu cansei de procurar ombro amigo.
Serei eu, a porra da casa.
Espero alguém pra vir dar uma olhada,
talvez uma reforma bem pensada…
um verniz naquela escada…
Massa na parede do peito, que há muito, está descascada.
Coração à mostra, fiação bagunçada…
Serei eu (?)… minha própria pousada.

Desculpem a repetição…
Mas sinto que vou desmontar se parar de escrever.
Como um movel velho, depois da quinta ou sexta mudança.
Escorado na parede pra não ruir…

Não deixe minhas palavras te assustar,
Venha me visitar,
seja Bem Vinda!
Só não repara a bagunça…

Eu… ainda estou de mudança.
Traga as crianças…

Criticas? Desce o verbo...

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