Na rua sem saída com quem soma comigo,
conversa vai, conversa vem, ora sorrisos, ora fumaça
Na mente a gente vê, a cena desenrolada antes de contar…
Dizem que Monjes treinam anos pra ter essa habilidade, mas é fluido…
E prossegue…
Contando um dos meus ‘causos’,
Lembrando dos bons amassos
Dos sons e velhos hábitos,
Conversa fiada, não tem voz,
Levada quebrada, no respeito…
Dando uns tragos.
Mas a mente da gente é foda,
nem pensa direito e toma um bote.
Não sei se com você é assim?!
Sorte sua se não for.
Por um segundo me passou uma vida toda,
Os problemas, as tretas, os gritos de raiva, vazios,
os dengos, as festas, os outros gritos…
Enfim! Foda-se, lá vai…
Os amassos no carro, atrás do mercado,
num dia tipicamente nublado,
corpos suados, trejeitos safados,
olhos chapados e mais uns tragos…
Vi nossos atrasos, os tombos, os choros.
Vi sorrisos largos, os corre, os torros.
E mais…
Olhares fulgazes, tipo matadora,
me faz derreter e finalmente fazer
o que vc quer (?) …
o jeitinho maldito de me convencer na conversa mole
falando besteira no meu ouvido,
me fazendo imaginar o que vai fazer comigo
é covardia pura. Maldade mesmo.
Mas se eu gostasse de santinha, tava com uma freira.
Sabe que eu fico sem graça, perco a pose de bandido.
…na verdade fico parecendo um idiota na sua frente…
(A realidade não tem dó)
E ela gosta de me ver assim, indefeso. Só pode!
Por que ela sorri?! Eu te faço tão feliz assim?!
Talvez esteja rindo da minha cara de bobo
enquanto admiro essa carinha de neném
que você tem.
Nossos cafunés atracados no sofá,
assistindo qualquer coisa
naquele frio do caralho
que só você pra tornar suportável.
Os beijos molhados, dedos gelados
passeando espaçados
em terrenos quentes e molhados.
Seu cheiro de perfume, pegando brabo,
dentro do meu carro…
— Seu batom, bebê. Tá borrado.
— Vai retocar ou quer que eu tire o resto?!
Ela sorri… Eu não entendo. Juro!
— Se continuar sendo linda assim,
vai ter que dirigir também.
Ela recusa, educadamente, dando a entender que se diverte me vendo no toque.
Ela sempre sorri.
O que ela não entende é que
o resto do mundo parece desfocado
com ela do meu lado, no mesmo espaço…
Foco na estrada, rumo a qualquer riacho
que se possa acampar.
De Corpo fechado! Rezado. Bem rezado!
Safo, e recentemente, até vacinado fui…
Como pode?! Atravessar minha barreira
Fé, Mente, convicção, ambição e disposição,
tudo que faz do oportunista, bom ladrão.
Como pode?! Ela sorri… por quê?
Ela só sorri. Caralho! Como pode?
Pra minha sorte escapo desse feitiço nefasto
não ileso, confesso…
Fisicamente, te descrevo, conto sobre você
pensando no seu beijo, perco o foco e volto.
Repito, tentando achar o fio desse nó cego.
Por fora, sorriso, adentro, conflito…
Por um segundo… Eu fui seu.
Imagina o que você faria se o que vi, fosse real?
Não sei se quero descobrir,
mas se você quiser, eu não me oponho.
Já fizemos isso antes…
Você sabe muito bem me dobrar
Como a colcha de retalhos do nosso quarto.
